PTinder e a exclusão do divergente
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PTinder e a exclusão do divergente

Parece até coisa do “Zé Simão” (quando prestava), mas não é: criaram o PTinder. Fascinante. De veras, deve ser um produto extremamente útil. Imagino as descrições dos usuários desta nobre ferramenta que, sem sombra de dúvidas, pode ser mai útil a quem não comunga com este grupo. Afinal, dois petitas juntos são capazes de causar menos problemas do que um ao lado de uma pessoa racional.

Voltemos às descrições: Fulana de tal, 30 anos, formada em alguma faculdade de humanas ( a foto deve ter algum totem de 2018 ou do Lula Livre). É contra o capital (ôh), tendência ao veganismo, e acredita que Touro tem ascendente em Sagitário (ou qualquer nulidade do tipo). Diz que o Brasil voltou a 1964, compartilha postagens da Margarida Salomão e tem, como frase de inspiração, qualquer coisa do Paulo Freire. A do homem (!!!) não é tão diferente: Fulano de tal, 35 anos, mora com a mãe, feministo (pesquisem, afinal, conhecimento também dá trabalho), Ouve Los Hermanos (risos), tem alguma tatuagem mística (ou de coisas com pouco valor simbólico), só consome comidas naturais – a exceção de pão com mortadela – fã da escola de Frankfurt e está quase para ser “jubilado” em algum curso superior porque falta as aulas para ir aos protestos contra os desmontes da educação. O resultado disto deve ser digno de alguma obra de horror do Alfred Hitchcock. O engraçado é que a autora da ideia, a escritora Elika Takimoto diz que a “ferramenta é para fazer amigos”. Bastante congregacional um aplicativo que só permite ter proximidade com pessoas de pensamentos em comum. Inclusão e respeito às divergências nunca foram os fortes da esquerda. Nem para amar.

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