Fazenda de Corpos
  • Alpha

Fazenda de Corpos

Parece cena de filme de terror, mas nos Estados Unidos é muito comum a existência de “fazendas de corpos” ("body farms", no original). O Texas possui uma das maiores, com aproximadamente 50 cadáveres espalhados em mais de 16 hectares de terra. Alguns estão mumificados e outros foram atacados ferozmente por abutres. Porém, os mais assustadores são os frescos, pois ficam inchados devido às poucas semanas transcorridas após a morte. O campo de estudo está estabelecido no Freeman Ranch e faz parte do Centro de Antropologia Forense da Universidade do Texas. Os defuntos são doados e deixados a céu aberto para que os pesquisadores possam compreender o processo de decomposição, visando assim auxiliar nas investigações criminais.

O primeiro estágio da decomposição começa logo após a morte. Uma vez que o coração parou de bater, as células não conseguem mais manter a homeostase (um estado de equilíbrio da temperatura, pH e outros fatores) logo começam a se romper. Isso inicia o processo de putrefação, visto que as bactérias começam a se alimentar do corpo. Depois de alguns dias de comilança por parte dos microrganismos, inicia-se o segundo estágio: o inchaço. Conforme eles digerem os componentes sólidos da carcaça, são liberados gases – sulfeto de hidrogênio, dióxido de carbono e metano – o que faz com que o cadáver se expanda. Nessa fase, ele fica amarelo pelo processo de marmoreio e pode duplicar de tamanho. Isso atrai as moscas, que botam ovos em todos os orifícios abertos, o que inclui olhos, ouvidos, nariz e boca. Pouco tempo depois, nascem as larvas, que cobrem todo o defunto. O rosto é o primeiro a ser consumido, pois abriga mais buracos e cria mais bichos. Três dias depois da decomposição, é chegado o terceiro estágio: purgação. Nele, o corpo começa a desinchar e encolher, já a pele se rompe para liberar a pressão e os fluidos. O líquido é tão rico em nitrogênio que mata toda a vegetação ao redor. Todavia, após um ano, ele dá origem a grandes vegetações, pois age como fertilizante. Passadas algumas semanas, as bactérias e as larvas já terminaram de consumir a maior parte da carne. A próxima etapa é a mais longa e predominante no Freeman Ranch: a deterioração avançada. As carcaças são deixadas para secar e mumificar sob o sol, porque o calor as torna inóspitas para os microrganismos e as moscas. Já as que ficam na sombra continuam sendo consumidas aos poucos. Por fim, depois de seis meses a um ano – varia conforme as condições climáticas –, inicia-se o último estágio: a secagem. Agora, o cadáver é reduzido a uma pilha de cartilagens, ossos e trapos de pele. Pelo que sabemos, todos os humanos compartilham do mesmo fim após a morte: a decomposição. A não ser que seu corpo seja congelado, cremado ou inteiramente destruído, ele deve ser consumido por bactérias, insetos e animais que reciclam o material orgânico e o transforma em novas formas de vida. É inegável que existe uma cortina que separa a vida da morte, sendo que a maioria de nós não tem coragem de espiar por trás dela. Entretanto, todos nós iremos passar pelo mesmo processo algum dia.

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco

© 2019 por Alpha - Portal de Mídia e Notícias

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now